quinta-feira, 19 de maio de 2011

SHUMPETER, O EMPRESÁRIO INOVADOR E O CAPITALISMO PRODUTOR DE RIQUEZAS


A essência da sociedade capitalista estava descrita em Adam Smith, mas foi mais esclarecida no autor que publicou, em 1912, a “Teoria do Desenvolvimento Econômico – Uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico”, Joseph Alois Schumpeter.

Schumpeter descreveu a atividade do empresário inovador como essencialmente útil e necessária para o equilíbrio do capitalismo. Segundo ele, o empresário era o empreendedor que inventava um novo produto ou produzia um produto já conhecido de uma nova maneira, com menores custos e, conseqüentemente, com maiores lucros.

Keynes, Smith e a maioria dos pensadores clássicos, com exceção de Marx, concordam que: se há equilíbrio de mercado, então o preço de mercado é igual ao custo mínimo. Também concordam que, no longo prazo, não há lucro porque o mercado tende a se equilibrar no ponto em que o preço é igual ao custo.

Explicação mais completa sobre essa característica de o mercado em equilíbrio exigir que o lucro econômico seja igual a zero pode ser encontrada nos economistas Walras, Pareto, Böhm Bawerk e outros da Escola Austríaca. Os modelos matemáticos desenvolvidos por aquela Escola provam que as exigências de concorrência pura levam à dedução de lucro nulo. Se o lucro é nulo, então a discussão sobre “lucro justo” é incabível.

Prosseguindo, Schumpeter provou que o preço de mercado comporta lucro somente no curto prazo. O lucro só ocorre no momento que o empresário vendeu ao preço fixado pelo mercado, mas inovou e produziu por uma soma de custos inferior ao preço que estava sinalizado.

Além do lucro de curto prazo, o empresário inovador seria remunerado pelo salário de administração e pelo aluguel das coisas próprias. Tendo em vista que o lucro ficaria cada vez mais difícil, tendendo a zero, com remuneração do capital cada vez menor, então o empresário tenderia a se incluir no processo produtivo para reduzir custos da mão-de-obra do gerente local. Precisaria trabalhar para sobreviver. Logicamente, os empresários perceberam, a partir de Schumpeter, que deveriam inovar e trabalhar, haja vista que o trabalho aumentava o valor do produto e remunerava o empresário.

Fica também registrado que a teoria schumpeteriana diz que o empresário que só verifica taxas de retorno tem direito de receber pelos rendimentos do capital. Já o empresário inovador tem direito de receber pelo trabalho diretamente aplicado e direito de receber o lucro derivado de custo de produção menor que o preço de mercado, sem ter que mostrar como obteve os menores custos.

Schumpeter trouxe a essência do capitalismo porque mostrou que o lucro não existe em mercado equilibrado. Para a Escola Austríaca, não há necessidade de aumentar o tamanho do estado para compensar as crises capitalistas. A solução para a crise é deixar o banqueiro falir e não socorrê-lo. Nunca se devem assumir prejuízos de empresas ou bancos e, por conseqüência, aumentar o imposto do contribuinte.

Na teoria de Schumpeter, a dedução lógica é a de que: Se o lucro não existe, então não existe a mais valia. Se a mais valia não existe, então não há necessidade de se criar um estado socialista, máximo, totalitário para retirar do homem capitalista o vício de querer lucrar cada vez mais.

O estado socialista retira do homem o desejo de lucrar. Retirar a ilusão do lucro que o homem capitalista pensa que conseguirá é retirar a essência do capitalismo que faz o homem trabalhar cada vez mais em busca do lucro. Mas o lucro é apenas a ilusão que o move para o trabalho.

O estado não deve prometer ao homem capitalista que ele terá lucro sem trabalho. Deixar o capitalista trabalhar em busca de ganhar para si próprio é a receita para uma sociedade materialmente mais rica. Deixar o homem livre é a receita para ele buscar também a riqueza espiritual.

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